Placas cerâmicas

.autocad-projeto-prefeitura

O Brasil é o quarto maior produtor mundial de revestimentos e pisos cerâmicos, ficando atrás apenas da China, Itália e Espanha, e é o terceiro maior exportador mundial. Em 1997, foram produzidos 383,3 milhões de m² de peças, entre pisos e azulejos. Do total produzido, foram vendidos no mercado interno 339,8 milhões de m², ou seja, mais de 88% da produção nacional, segundo dados do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (2011)

De acordo com a NBR 13816:1997, o porcelanato é classificado como uma placa cerâmica.² No entanto, por ser de qualidade superior, o mercado tende a separar os porcelanatos dos produtos cerâmicos.

 

Cerâmica x porcelanato

A cerâmica tradicional é composta de uma mistura de argilas que passa pelos processos de prensagem ou de extrusão e é queimada a até 1150°C. Depois da prensa, as placas são secas e podem receber esmalte (decoração). Se elas forem extrudadas a vácuo, retira-se o excesso de umidade da massa, facilitando a criação de formas diferenciadas

Já o porcelanato tem materiais mais nobres (como o feldspato), queimados a temperaturas superiores a 1200°C. Ele é tecnicamente superior, pois oferece elevada resistência mecânica, química e baixa porosidade (menos suscetível a manchas). 

 

Normas Técnicas

As normas de placas cerâmicas para revestimento estão agrupadas em quatro conjuntos, sem contar aquelas específicas de argamassas e profissional assentador:

  • NBR 13816:1997 – Placas Cerâmicas para Revestimento – Terminologia;
  • NBR 13817:1997 – Placas Cerâmicas para Revestimento -Classificação;
  • NBR 13818:1997 – Placas Cerâmicas para Revestimento  – Especificação e Métodos de Ensaio;
  • NBR 15463:2007 – Placas Cerâmicas para Revestimento – Porcelanato.

 

Critérios de escolha

De acordo com Cavani (2010), para a escolha de placas cerâmicas é necessário avaliar três fatores simultaneamente:

  • O fator estético: deve agradar ao usuário, ser bonito e combinar com o estilo do edifício.
  • O fator custo: preço deve ser condizente com o orçamento e limitação do consumidor.
  • O desempenho técnico: características necessárias ao ambiente e às solicitações de uso.

Magalhães (2011 apud E-MORAR, 2011) adverte, ainda, que outro fator que muitos desconhecem, mas que pode ser considerado indispensável, é a cor do fundo do piso. Existem cerâmicas de fundo branco e vermelho.

As de cor vermelha apresentam maior absorção de água, portanto não são indicadas para banheiros, cozinhas e lugares que entram em contato constantemente com água abundante, pois podem manchar com facilidade.

Já as de fundo branco apresentam menor absorção de água, não manchando o piso com facilidade.

 

Classificação

De acordo com Pezente (2011), todo piso cerâmico é classificado segundo uma escala de resistência à abrasão, que define a resistência que o mesmo oferece ao desgaste provocado pelo tráfego de pessoas, portanto inerente aos pisos.

É por meio deste conceito que arquitetos e engenheiros especificam pisos que devem apresentar, por exemplo, alta resistência a arranhões.

Produtos cerâmicos devem atender às prescrições estabelecidas pela norma técnica NBR 13818: 1997 da ABNT, que fixa entre outros itens, as características exigíveis para fabricação, marcação e declarações em catálogos de placas cerâmicas para revestimento.

Existem dois métodos de avaliação da resistência à abrasão (SINDUSCON-MG, 2009):

  • Superficial: para produtos esmaltados, o método utilizado é o PEI (Instituto da Porcelana e do Esmalte), que prevê a utilização de um aparelho que provoca a abrasão superficial por meio de esferas de aço e materiais abrasivos.
  • Profunda: para não esmaltados, é medido o volume de material removido em profundidade da placa, quando submetido à ação de um disco rotativo e um material abrasivo específico.

 

Classes de resistência à abrasão do esmalte

Pezente (2011) apresenta 6 classes nesta categoria de acordo com o uso:

  • PEI 0 – o produto é recomendado somente para uso em paredes;
  • PEI 1 – o produto pode ser utilizado em banheiros residenciais que não tenham porta externa, movimento baixo de pessoas e sem sujeira abrasiva;
  • PEI 2 – o produto pode ser utilizado em banheiros e dormitórios residenciais que não tenham porta externa, sujeira abrasiva e movimento moderado de pessoas;
  • PEI 3 – o produto pode ser utilizado em todas as dependências residenciais sem portas externas;
  • PEI 4 – o produto pode ser utilizado em todas as dependências residenciais e pequenos ambientes comerciais que não tenham portas externas, como por exemplo: salas comerciais de shoppings ou galerias. Pode ter porta externa, porém com pouca sujeira abrasiva;
  • PEI 5 – o produto pode ser utilizado em todas as dependências residenciais, comerciais e em algumas dependências industriais.

 

Piso cerâmico polido e retificado

combo 3ds

No site da Ceusa Revestimentos Cerâmicos (2011), o piso polido e retificado é classificado como um tipo de revestimento cerâmico fabricado com base porcelânica e decorado com esmaltes especiais de alta camada, conferindo ao mesmo uma beleza estética exclusiva, diferenciada dos demais revestimentos cerâmicos por seu alto brilho. De uma beleza rara, o produto possui um brilho extremo inigualável, facilitando a limpeza no dia-a-dia. Por ser um produto retificado é indicado e garantido para o assentamento com junta seca, dando ao ambiente depois de pronto, o efeito de uma única placa.

 

Placas cerâmicas inspiradas em cortiça, papel de parede, vitrais europeus e madeira de demolição   Fonte: Costa at al (2010) – fotos de André Fortes

Placas cerâmicas inspiradas em cortiça, papel de parede, vitrais europeus e madeira de demolição
Fonte: Costa at al (2010) – fotos de André Fortes

Placas cerâmicas inspiradas em motivos psicodélicos e em desenhos coloniais Fonte: Costa at al (2010) – fotos de André Fortes

Placas cerâmicas inspiradas em motivos psicodélicos e em desenhos coloniais
Fonte: Costa at al (2010) – fotos de André Fortes

Batizada de Blue Lótus, a cerâmica retificada da Batistella tem 34 x 58 cm. O kit com duas peças vale R$ 240 (em março de 2010) Fonte: Costa at al (2010) – fotos de André Fortes

Batizada de Blue Lótus, a cerâmica retificada da Batistella tem 34 x 58 cm. O kit com duas peças vale R$ 240 (em março de 2010)
Fonte: Costa at al (2010) – fotos de André Fortes

Parece tijolo à vista, mas trata-se de uma cerâmica esmaltada (31,5 x 49 cm) no tom rosso. Ela faz parte da linha Painel Decorativo, da Incefra, e custa R$ 20 o m² (em março de 2010) Fonte: Costa at al (2010) – fotos de André Fortes

Parece tijolo à vista, mas trata-se de uma cerâmica esmaltada (31,5 x 49 cm) no tom rosso. Ela faz parte da linha Painel Decorativo, da Incefra
Fonte: Costa at al (2010) – fotos de André Fortes

Revestimento lavabo: composição com peças cerâmicas antigas
Fonte: Costa at al (2010)

Revestimento  copa: cerâmica imitando madeira Fonte: Costa at al (2010)

Revestimento copa: cerâmica imitando madeira
Fonte: Costa at al (2010)

 

Referências

CAVANI, G.R. Revestimentos Cerâmicos. Mestrado Profissional em Habitação, Instituto de Pesquisas Tecnológicas, São Paulo, 2010. (Aula da disciplina Materiais e Técnicas de Acabamentos, Revestimentos e Restauro de Edifícios,  ministrada em out. 2010).

CEUSA REVESTIMENTOS CERÂMICOS. Consulta geral à homepage. Disponível em: <http://www.virtualiza.com.br/>. Acesso em: 26 maio 2011.

COSTA, D. at al. 9 perguntas e respostas sobre cerâmicas e porcelanatos. Revista Arquitetura e Construção, São Paulo, abr. 2010.  Disponível em: <http://casa.abril.com.br/materias/pisos/9-perguntas-respostas-ceramicas-porcelanatos-541793.shtml>. Acesso em: 26 maio 2011.

E-MORAR. Consulta geral à homepage. Disponível em: <http://www.e-morar.com.br/> Acesso em: 26 maio 2011.

INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO E QUALIDADE INDUSTRIAL – INMETRO. Consulta geral à homepage. Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/>. Acesso em: 26 maio 2011.

PEZENTE, J.H. Consulta geral à homepage do engenheiro. Disponível em: <http://www.escolher-e-construir.eng.br/>. Acesso em: 26 maio 2011.

SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL NO ESTADO DE MINAS GERAIS.  Placas cerâmicas para revestimento.  Belo Horizonte: Sinduscon–MG, 2009. (Programa Qualimat Sinduscon-MG), 24p. Disponível em:  <http://www.sinduscon-mg.org.br/site/arquivos/up/comunicacao/Placas_Ceramicas_para_Revestimento.pdf>. Acesso em: 15 set. 2011.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

autocad-projeto-arquitetonico

Construir engloba um conjunto de blogs e sites idealizados pela arquiteta Roberta Vendramini